ARTIGO1

Um salto para a evolução organizacional

Estamos vivendo um momento sem precedentes. Apesar de todas as crises epidemiológicas e econômicas que enfrentamos ao longo das últimas décadas – para não dizer séculos – não temos parâmetro para lidar com a situação que estamos enfrentando. É um cenário totalmente volátil, incerto e complexo tal nosso momento de mundo VUCA, expressão que você com certeza já ouviu como forma de descrever essa nova Economia da qual experimentamos.

Existem questões de saúde pública e financeiras extremamente preocupantes e especulações quanto ao possível colapso do sistema de saúde, aumento no desemprego, o impacto financeiro para alguns micro empreendedores que podem vir a “quebrar” pela baixa demanda etc. Infelizmente, o cenário nos parece bem pessimista e não estou aqui para tentar remediá-lo.

Acredito que o papel de cada um de nós nesse contexto é de conscientização e colaboração. Mas, apesar do caos eminente, como profissional de comunicação organizacional e entusiasta das relações humanas e Futuro do Trabalho, consigo vislumbrar um impacto positivo no âmbito empresarial – a disrupção significativa e sem volta no mercado de trabalho.

Com a necessidade de isolamento social emergencial, as organizações estão precisando reinventar processos, comunicação, gestão e operação. Isso faz com que o mercado de trabalho de forma massiva, dê um salto em direção à evolução organizacional, a partir da implementação de características e atitudes inerentes a um modelo de mundo mais humano, conectado, desmaterializado. 

Nesse contexto podemos observar: 

  • Adaptabilidade: não é preciso dizer o quanto essa característica tem sido exigida nesse momento de crise, e sem sombra de dúvidas, essa será a habilidade mais importante no Futuro do Trabalho. Com os avanços tecnológicos, pressões mercadológicas, habilidades se tornando obsoletas enquanto outras se tornam necessárias em uma frequência jamais vista, se adaptar será uma questão de sobrevivência para indivíduos e organizações. É fato que a COVID19 está demandando uma reação drástica e emergencial de todos, mas podemos encarar essa situação como uma oportunidade – passado o caos – das organizações avaliarem seu poder de resposta na gestão de mudanças.

 

  • Desmaterialização: o cenário atual nos faz repensar a postura do “presenteísmo” – ou seja, a falsa crença de que precisamos de presença física para o dia a dia de trabalho. A pandemia abriu espaço para discussão e consideração do trabalho remoto em ambientes onde isso jamais havia sido cogitado, seja por falta de confiança do empregador, falta de intimidade com a tecnologia ou qualquer outro motivo. O trabalho remoto mostrará para muitas organizações que até então eram resistentes a esse modelo, que sim é possível manter a qualidade de entrega sem que todas as pessoas estejam presentes fisicamente no mesmo ambiente. Essa experiência com certeza vai alterar o fluxo de trabalho e mindset nas organizações.

 

  • Digitalização: ainda nesse contexto, estamos sendo forçados a buscar novas soluções tecnológicas para lidar com esse momento: soluções para videoconferência, aplicativos de gestão de projetos remoto, plataformas de entrega de conteúdo ou aulas, dentre tantas outras soluções digitais pra nos ajudar a sermos mais “virtuais”.  A partir dessa experiência digital, é esperado que muitas ferramentas fiquem definitivas, remodelando processos até então 100% físicos.

 

  • Exercício da Confiança: diante de tantas incertezas e inseguranças, nos resta confiar uns nos outros. Fornecedores estão precisando confiar que seus clientes honrarão seus compromissos. Alunos estão precisando confiar que escolas ou empresas entregarão seu conteúdo com a mesma qualidade que entregam fisicamente. As organizações estão precisando confiar que seus colaboradores produzirão resultados remotamente. Um dos paradigmas do Futuro é justamente o trabalho em rede, em ecossistema. As relações serão menos verticais e mais horizontais e a premissa de qualquer relação, principalmente no contexto das relações no Futuro é justamente a confiança. Portanto, a expectativa é que a gente saia dessa experiência um pouco mais confortáveis com o ato de confiar. 

 

  • Prática da Empatia: existe a errada interpretação de que empatia é se colocar no lugar do outro. Muita gente faz isso sem isolar seu repertório, o que em geral, faz com que a gente não exercite empatia genuína. Empatia é quando a gente se coloca no lugar do outro, sendo o outro. Ou seja, quando mesmo não sendo grupo de risco, ocorra o isolamento social pelo ato empático de pensar naqueles que tem risco eminente com a doença. Quando o líder flexibiliza o trabalho para pais e mães, por compreende mesmo sem ter filhos, as dificuldades de gerenciar a rotina de uma criança sem aula quando não havia um plano B planejado. É quando a gente desapega do nosso repertório, quando se abre para compreender perspectivas diferentes das nossas. Essa situação nos convida a praticar nossa empatia e porque não fazer disso um hábito mais frequente em nosso dia a dia daqui pra frente?

Ao remodelar processos com o uso da tecnologia, flexibilizar as jornadas de trabalho, humanizar as relações não existe outro resultado organizacional a não ser a EVOLUÇÃO. Talvez, em um primeiro momento isso não esteja tão obvio, em função de toda a névoa cinza que existe ao redor dessa pandemia que já mencionamos aqui. Mas, com responsabilidade, tecnologia e consciência coletiva, esse poderá ser um momento marcado pela evolução tecnológica e humana das organizações.

“É impossível progredir sem mudança, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada” George Bernard Shaw

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