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Você precisa pensar na cultura da sua startup agora

Há quem defenda que o mais importante para ter uma startup de sucesso é analisar o mercado, montar o plano de negócios, investir em publicidade e acompanhar os resultados. Esses elementos realmente são importantes para a estrutura do novo negócio, mas só eles não bastam.

Assim como não se faz omelete sem usar alguns ovos, não se monta uma startup de sucesso sem ter compromisso com a cultura e a essência do negócio.

Por isso, nesse artigo falaremos sobre porque você precisa pensar na cultura da sua startup.

Diferenças entre modelo Startup e empresas tradicionais

A primeira coisa que muita gente pensa quando ouve falar em startup é em salas com videogames, espaços de trabalho colaborativos, nada de dress code, cerveja e outros snacks à vontade e escritórios coloridos, como as fotos da sede do Google que tanto compartilham na internet.

Contudo, se pensamos em uma empresa do modelo tradicional, o que nos vem à mente é bem diferente como escritórios cheios de cubículos nos quais os colaboradores trabalham, horário para entrar e sair bem definido e roupas sociais ou outro modelo que siga as normas estabelecidas pela empresa.

Esses são os estereótipos que foram vendidos para nós quando assistimos filmes, seriados e até jornais e como todo estereótipo, não se aplica a todos os casos, sendo uma definição bem genérica.

A verdade é que o principal elemento que diferencia uma startup de uma empresa tradicional é o modelo de negócio. Enquanto as startups nascem com a metodologia enxuta inserida em seu DNA, os modelos de negócio tradicional são mais resistentes.

Além disso, é comum que a startup cresça de maneira exponencial, totalmente fora das previsões ou ciclo de uma empresa tradicional. Por isso, é extremamente importante que a startup se mantenha fiel às origens para que não se perca em meio às mudanças para que o trabalho continue trazendo o sentimento de propósito aos colaboradores. A cultura é um elemento-chave para isso.

Em entrevista com Ana Julia Archer, Gerente de Gente e Gestão da escola Conquer, uma das principais escolas de negócios do país, falamos um pouco sobre a importância da cultura organizacional no crescimento da startup.

A: Como você define a Cultura da Conquer e quais são as boas práticas que vocês utilizam para reforçá-la no dia a dia?

[N]: A cultura da Conquer pode ser definida como inovadora e extremamente forte com os seus pilares e os seus valores. Nascemos da insatisfação com o ensino tradicional e levamos muito essa insatisfação pro nosso time, mas uma insatisfação positiva de querer fazer algo melhor, que impacte positivamente a vida de nossos alunos e os faça crescer profissionalmente. 

Para isso acontecer, tivemos que ter muito claro quais eram os nossos valores e os nossos pilares. Como a gente vivencia isso no dia a dia? Primeiro, temos os nossos 10 mandamentos, e esses mandamentos seguimos a risca, então é um norte muito grande pra gente. E os nossos três pilares quando falamos de produto: professores que vivenciam no dia a dia aquilo que eles ensinam, conteúdo prático, mão na massa e sem enrolação e metodologia diferenciada com uma ótima curadoria de conteúdo. 

A gente vivencia isso no dia a dia em todos os contextos, seja em nossas reuniões de time, nossos ritos de cultura, nossas tomadas de decisão. Os nossos mandamentos e os nossos valores são sempre usados como base das nossas tomadas de decisão. Precisa fazer sentido, precisa se conectar.

A: Às vezes, existe a crença de que Cultura não é um assunto estratégico para startups porque inicialmente a equipe é enxuta. Para vocês foi assim ou a Cultura foi um pilar estratégico do negócio da Conquer desde o início?

[N]: Sobre essa crença de que cultura não é um assunto estratégico para startups desde o início, muito pelo contrário. A Conquer só é o que ela é hoje, só possui essa estrutura tão incrível que temos hoje, por conta dessa cultura ter sido clara desde o começo. Para nós sempre foi importante os nossos pilares e o nosso propósito, a cultura foi construída ao redor disso. 

Então, eu acho que o grande diferencial da cultura de pessoas na Conquer é justamente que sempre tivemos muito claro qual era a nossa cultura, quais eram os valores imprescindíveis e que a gente não abria mão. 

Se eu pudesse justamente dar uma dica contrária, é essa: tenha claro desde o começo qual é a cultura da empresa, como você quer que a sua equipe se desenvolva, o que você entende que é importante como negócio. Isso vai guiar tudo, desde o jeito que você vai fazer a sua gestão, até as pessoas que você vai contratar e até as tomadas de decisão.

A: A Conquer passou por um processo de reinvenção nos últimos meses. A adaptação para o online, fechamento de algumas unidades, reposicionamento etc. O quanto ter uma Cultura bem definida ajudou nessas transformações?

[N]: De novo, eu acho que conseguimos passar por todo esse processo de reinvenção porque inovação está na nossa cultura, está no nosso DNA. Então, mesmo que fosse um processo difícil com muitas tomadas de decisões complexas, nós só estivemos tão seguros que estávamos caminho certo porque estava alinhado com a nossa cultura. 

Então, com certeza ter uma cultura bem definida ajudou na transformação, tanto no momento de tomar decisões difíceis quanto de seguir em frente e ver que a gente estava no caminho certo.

A: Qual sua dica para as startups que estão crescendo e tem a preocupação do DNA não se perder com o crescimento?

[N]: Essa preocupação é extremamente válida e necessária. Acho que toda empresa tem dor de crescimento, mas quando temos a cultura tão clara e tão forte, o nosso DNA não se perde. A gente contrata pessoas e traz esse crescimento de uma forma que faça muito sentido com a nossa cultura. Mesmo com o crescimento acelerado, sempre buscamos trazer pessoas pro time que tenha esse DNA, esse perfil Conquer, que tenham essa cultura e valores iguais a gente. Então, essa foi uma coisa que fez a gente crescer e não perder isso [DNA]. Se eu puder dar uma dica para as startups é: tenha o DNA claro e, mesmo com o crescimento acelerado, contratem pessoas que tem o DNA de vocês.

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